Junho Laranja: um simples exame de sangue pode ajudar no diagnóstico precoce da leucemia

Por Nossa Hora
Quinta-Feira, 04 de Junho de 2026 às 06:34
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Fadiga extrema, falta de energia, febre sem causa aparente, suor noturno, perda de peso, palidez, infecções persistentes ou recorrentes, aumento de gânglios, manchas rochas na pele e sangramentos anormais. Esses são alguns dos sintomas que podem indicar uma leucemia e devem ser investigados imediatamente por um médico hematologista. “A atenção aos sinais é sempre uma aliada da saúde. A presença de um ou mais desses sintomas pode estar associada a outros diagnósticos, mas a investigação médica precoce e especializada é fundamental para o diagnóstico e tratamento adequados”, explica o hematologista Caio do Espirito Santo Ribeiro, da Oncoclínicas.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 12.220 novos casos de leucemia devem ser registrados em 2026 no Brasil. Na Bahia, a estimativa é de 790 novos casos. A leucemia é um tipo de câncer que começa na medula óssea, fazendo com que as células sanguíneas passem a se reproduzir desordenadamente, prejudicando a função normal da fabrica do sangue. O Junho Laranja, campanha dedicada à saúde do sangue, é um mês de conscientização sobre a leucemia e a anemia.

Com um simples exame de sangue, o hemograma, é possível identificar alterações hematológicas que podem indicar a suspeita de leucemia. “Os exames laboratoriais periódicos aumentam as chances de diagnóstico precoce até antes da manifestação de sintomas, quando a doença já se instalou, mas ainda não deu sinais”, destaca a hematologista Lycia Bellintani, da Oncoclínicas. 

“Quanto mais precoce o diagnóstico e início do tratamento, maior a possibilidade de cura e controle da doença”, acrescenta a especialista.

“Ao detectar alterações no hemograma, outros exames específicos são realizados para a confirmação do diagnóstico, como o mielograma, que analisa as células sanguíneas produzidas pela medula óssea, para verificar o seu funcionamento”, explica Caio do Espirito Santo Ribeiro. Outros exames que integram a investigação: a imunofenotipagem (que avalia caracteriza as células da medula) e a biópsia de medula óssea, que retira pequena amostra do tecido da medula para análise histológica (anatomia patológica e imunohistoquímica).

Fatores de risco

Embora a leucemia seja um tipo de câncer hematológico com causas ainda pouco conhecidas, muitas pesquisas já associam vários fatores de risco a alguns tipos da doença. Dentre os fatores, herança genética, tabagismo, idade aumentada, infecções no início da vida, exposição ambiental ao benzeno, à radiação ionizante e a agrotóxicos e solventes, além de exposição a altas doses de radioatividade e quimioterapia prévia.

Tipos de leucemia

Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que as quatro mais comuns são leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica, leucemia linfoide aguda e leucemia linfoide crônica. A doença pode afetar pessoas de diferentes faixas etárias, como no caso da Leucemia Linfoblástica Aguda que mais frequentemente acomete crianças e adolescentes, embora possa atingir adultos também, especialmente acima dos 50 anos.

A leucemia pode se desenvolver de duas formas diferentes: crônica, que tem os sintomas mais brandos e evolui lentamente, ou aguda, que é mais agressiva, pois evolui e agrava-se de forma rápida e num curto intervalo de tempo.

Tratamentos e Transplante de medula

Os tratamentos são sempre individualizados e a indicação terapêutica depende do subtipo da leucemia, do perfil genético e/ou molecular e do estágio da doença. “Os tratamentos podem incluir quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, terapias alvo e, em alguns casos, transplante de medula óssea”, explica Caio do Espirito Santo Ribeiro.

“Os tratamentos para os cânceres hematológicos têm evoluído bastante, terapias alvo e imunoterapia estão sendo cada vez mais utilizadas, com ótimas repostas e menos efeitos colaterais, proporcionando mais qualidade de vida para os pacientes”, afirma Lycia Bellintani.

Em casos de leucemia agudas de alto risco, recidivas ou quando a doença não responde ao tratamento, o transplante de medula pode ser necessário. Nesses casos, os familiares - irmãos, pais e filhos - devem realizar o Teste de Histocompatibilidade (HLA) e, ao mesmo tempo, o médico deve cadastrar o paciente no Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) para buscar doadores não aparentados compatíveis.

O REDOME consegue conectar doadores cadastrados e receptores compatíveis em todo o Brasil e até em bancos internacionais.




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